Forgiveness
Recentemente voltei a ler histórias antigas. É incrível como certas memórias voltaram a correr! Episódios de que me tinha esquecido irromperam pelo subconsciente com um realismo tal que parecia que tinham acabado de acontecer. Não estava à espera de me lembrar exatamente do que se passou em cada parágrafo, mesmo atrás da máscara de história, misturando realidade e ficção para que ninguém conseguisse perceber. Lembro-me de acreditar que no futuro até eu me iria esquecer dos pormenores e eventualmente acreditar que os finais mais felizes tinham sido assim mesmo. Subestimei a minha capacidade de lembrar tudo o que não importa para o mundo...
Ao reler estes desabafos de alma consegui separar-me da pessoa que os escreveu, uma distância necessária, acredito, para perceber o que se passava realmente. Vi alguém com dúvidas, a não querer aceitar algumas realidades cruéis, quase a querer desistir da verdadeira felicidade só por medo do desconhecido. Consegui ver o crescimento de fora, vi a luta interna, a negociação e finalmente a rendição. Em vez de vergonha (que não seria de estranhar, eu era bastante angst-y!) senti compaixão, como se estivesse a ouvir os dilemas da irmã mais nova. Não sei se foi da célebre paz dos 30, mas consegui perdoar-me e olhar para o passado com carinho e sem arrependimentos.
Manter um registo escrito do que de mais importante se passa na vida traz as suas vantagens! Logo veremos se aos 40 ainda concordo com isto.
Manter um registo escrito do que de mais importante se passa na vida traz as suas vantagens! Logo veremos se aos 40 ainda concordo com isto.
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